quinta-feira, 2 de agosto de 2012

ESSA É MAIS UMA TESTEMUNHA TALITA, QUE DEUS É FIEL E TEMOS QUE SER DA MESMA MEDIDA COM ELE!!!! ...

Tudo começou na sexta-feira dia 02/12/11, quando senti os primeiros sintomas: fraqueza muscular em todos os membros e também na parte de deglutição. Assim, do nada! A partir daí fui ficando cada vez mais fraca, tinha dificuldade em andar, l...
evantar, comer e aos poucos, respirar. Fui internada no sábado dia 03/12 no Hospital São Lucas com suspeita de Síndrome de Ansiedade. No domingo, eu já estava completamente paralisada! Não mexia nada, mal abria a boca pra falar. Não resolvendo nada nesse hospital, fui transferida para o HM de Paracatu. Já com dificuldade para respirar e com a urgência do caso e antes que os exames ficassem prontos, fui diagnosticada com Síndrome de Guillain-Barré e levada à CTI no dia 05/12 segunda-feira. Há coisas que Deus permite que aconteça em nossas vidas, não sabemos às vezes nem o porquê disso tudo, mas eu nunca me queixei disso. Mesmo por que, eu tinha certeza que Deus era e ainda é comigo. Estive por quatro vezes à beira da morte, passei por situações que só Deus sabe o quanto foi difícil e nem por isso O culpo. Deus sabe o que faz e não podemos questionar o dono de todas as coisas. Pela graça e misericórdia de Deus, estou aqui, VIVA! E tudo aconteceu no momento certo, no tempo certo. Parece que tudo foi projetado, planejado e calculado antes, pois naquela tarde de segunda-feira, despedi da minha mãe e do meu marido e entrei na UTI, onde lá, não podiam me seguir... E depois de alguns procedimentos, tudo muito rápido, tive uma Parada Respiratória! Fui rapidamente entubada e passei então a respirar com a ajuda de aparelhos. A partir daí, eu passei os próximos cinco dias em coma induzido, o que se passou comigo nesse período eu só sei por que me contaram depois, minha vida foi somente sonhar nesses dias, vivia em comunicação total com Deus, estava em "espirito", minha mente estava focada em Deus. Naquele lugar, eu vivia uma guerra espiritual constante: era a vida lutando contra a morte, o meu espirito lutando contra meu físico, uma disputa sem fim entre anjos e demônios... Sim! Isso acontece o tempo todo no mundo espiritual porque a alma é imortal e é isso que eles querem! E só me restava clamar a Deus e pedir socorro e salvação. O medo de morrer era tão grande, que enquanto eu estava sob efeito de remédios vivia em tormentos, delírios, não dormia, não confiava nos médicos e enfermeiros, sonhava coisas, presenciava coisas e ouvia coisas que as vezes interpretava de outro jeito. Tinha medo que desligassem os aparelhos, que me dessem medicação errada, enfim, todo tipo de tormento que se pode imaginar naquele lugar... Por causa da ventilação mecânica e da própria síndrome, tive muitas complicações de nível gravíssimo: além de perder todos meus movimentos e de não respirar sozinha, tive pneumonia, pneumotórax, tiveram que drenar meus dois pulmões, oscilação da pressão, arritmia cardíaca, anemia e uma serie de outras complicações além de uma confusão mental devido ao meu estado depressivo. Mas como disse, tudo acontece na hora certa e a grande urgência no momento era que eu tomasse a Imunoglobulina - única medicação pra esse caso - que era dificílimo de encontrar, não dispunha em laboratórios, tinha que ser manipulado e custava muito caro. E tinha a quantidade certa, no período certo pra que eu tomasse e ainda lidar com a incerteza do resultado. Naquela mesma segunda-feira (05/12), minha mãe e meu marido e por milagre de Deus e a ajuda de pessoas influentes, conseguiram a doação de uma parte do remédio na UFU-Universidade Federal de Uberlândia. Meu pai se dispôs a buscar naquela madrugada e na manha de terça-feira (06/12) comecei a tomar a medicação. Deus não é maravilhoso? Mas Deus ainda continuou a agir, pois faltava medicação pra mais dois dias e a burocracia não facilitava em nada. Mesmo assim, essa medicação veio de BH ate mim e finalizei o tratamento com a Imunoglobulina Humana nos cinco dias importantes de tratamento da doença. No meu caso, pela gravidade que foi, não só atacou a membrana que envolve o nervo (a mielina) como também o próprio nervo. Mas ainda em estado grave, tivemos que lutar contra as complicações citadas à cima, consequência da própria SGB. Dentro da UTI, já em consciência, presenciei procedimentos com outros pacientes que tiveram consequências gravíssimas no meu psicológico: Eu vi uma paciente morrendo! Eles tentavam reanimá-la e todas as tentativas foram inúteis. Eu nunca tinha presenciado algo parecido, nunca cheguei perto de uma situação como essa, por isso me chamou tanto atenção. Eu via e ouvia toda aquela agitação de UTI, aparelhos apitando o tempo todo, pacientes em estado gravíssimos em procedimentos delicados, pessoas morrendo, outras tendo alta e eu ali, ainda parada, sem me mexer, sem falar, completamente imóvel, sem nenhuma expressão no rosto, pois ate os movimentos da face eu perdi. Era só eu e Deus mais as dores por todo o corpo. Foram 17 dias entubada, não consegui sair do aparelho antes, pois não tinha força no diafragma o suficiente para respirar sozinha, o aparelho fazia isso por mim. Um dos médicos disse para o meu marido que eu só iria começar a me mexer depois de quatro semanas... Deus é tão maravilhoso que com 10 dias, eu já mexia a cabeça, alguns dedos, depois foi o ombro, o tronco, as pernas... Tudo lentamente, mas mexia! Não tendo mais jeito, fui submetida a uma traqueostomia e continuava dependendo do aparelho. Nesse tempo, meu estado passou de gravíssimo para grave e com tantas orações de tantas pessoas passei para estável. Agora, eu tinha que conviver com as secreções e aspirações frequentes que eram muito desconfortáveis e ainda lutar contra a ansiedade, impaciência e uma mistura de emoções, fora a saudade de casa, da minha filha que só pude ver uma vez enquanto estava na UTI (foto) graças a um grande medico que liberou a entrada dela numa noite, a incapacidade de não poder fazer pequenas coisas sozinha, a vontade de beber um pouquinho que seja de agua bem gelada e não conseguir deglutir... Como foi difícil! A partir desse período comecei a viver uma fase de reflexão, foi aí que Deus começou a trabalhar no meu interior, mudando meu coração, limpando minha mente, purificando todo o meu ser, me perdoando... Enfim, me lapidando! Entre momentos e outros, urgências e emergências, tristezas e por incrível que pareça, algumas alegrias, foram 43 dias dentro da UTI, sendo 37 dias no respirador, 4 dias na fonte de oxigênio. Sai da UTI dois dias depois usando uma cânula metálica. Começou-se uma nova etapa: Fiquei mais 12 dias na clinica e finalmente no dia 30/01/12 voltei pra casa graças a Deus. Passei meu aniversario de casamento, natal e ano novo no hospital, mas tudo bem... Tive o apoio o tempo todo da minha família, principalmente da minha mãe e do meu marido que estavam lá todos os dias pra me ver, me dar força e cuidar de mim. Mas em casa foi tudo diferente! Eu pensei que seria mais fácil, que seria melhor, e foi melhor, mas não nos primeiros dias. A ficha finalmente caiu, eu me dei conta que eu tinha me tornado, mesmo que temporariamente, uma "pessoal especial", uma cadeirante! Isso foi chocante pra mim, agora não tinha mais enfermeiros pra cuidar de mim, mas sim, minha mãe e meu marido somente. Meu marido ainda estava de ferias, mas minha mãe parou a vida dela pra cuidar de mim. Dependia deles para tudo, e isso me incomodava muito! Mas tive que aprender a conviver com esse desconforto também, inclusive, aprender que na hora da necessidade, você não pode ter vergonha de nada e isso foi difícil porque dependia de algumas pessoas também que nunca tive intimidade. Meu quarto foi adaptado - tiraram minha cama de casal e colocaram a de um hospital -, passei a andar de cadeira de rodas, tomar banho em cadeira especial... Enfim! SER DEPENDENTE e viver a vida como um bebê! A única coisa que eu queria era me esconder, esconder de tudo, de todos, do mundo todo! Ficar ali no meu quarto sem falar, sem ver ninguém... Mas havia uma força dentro de mim que surgia do nada e me levantava. Eu olhava minha filha ali do meu lado, cuidando de mim e lembrava de todos os momentos difíceis que vivi e dizia pra mim mesmo: - Thalita, levanta e anda! Você não pode ficar assim, sua filha está aí precisando de você! Literalmente não andei, mas levantou meu animo por varias vezes! Pela minha filha eu me mantia viva! Eu tinha que viver, pois ela dizia pra mim com os olhinhos cheios de lagrimas: - Mamãe, eu tive medo que a senhora morresse! Eu não quero ter outra mamãe, eu quero a senhora... Foi assim, durante dois meses . Fizemos o cadastro no Hospital Sarah Kubitschek e ficamos na espera. Nesse tempo, fui trocando a cânula de 15 em 15 dias, cada vez, por um tamanho menor. Tudo tranquilo ate então... Quando chegou à cânula de numero dois, o medico sugeriu retirar por completo e me deixar na observação por algumas horas... Horas? Passaram-se minutos! A traqueia fecha tão rápido, que com 30min já tinha fechado tudo e eu estava com falta de ar, cansada! O medico vendo isso me colocou no oxigênio, 10min depois eu já não aguentava mais de tão cansada e chamei o medico. Ele veio correndo e viu que não tendo mais jeito, teria que colocar a cânula (n°1) e se não desse certo iriam fazer outra traqueostomia ou me entubar e voltar pra UTI. Ele optou em colocar a cânula, porém, a traqueia estava fechada e ele tentou voltar a de n°2 primeiro. Não adiantando aplicar anestesia local nesses casos, sentia muita dor e ele forçou o máximo que pode e não conseguiu. Além da dor que era imensa, eu não conseguia respirar. Ele tentou de novo, mas com a cânula de n°1 e com muita dor e dificuldade, finalmente conseguiu colocar a cânula antes que chegasse a Sedação pra fazer outra traqueostomia.. Foi tudo muito rápido, a traqueia encheu de sangue, não conseguia mais respirar, já estava ficando cianótica, quando meu marido que estava do meu lado trocou o cateter de oxigênio e me aspirou, então finalmente, voltei a respirar... Foi um sufoco! Mas Deus estava lá, tomando a direção de tudo e dando sabedoria ao medico e a equipe. E mais uma vez me livrei de um grande risco. Depois disso tudo voltei pra casa e na semana seguinte, num sábado, acordei pela manha e simplesmente a cânula tinha saído! Saiu, assim, do nada! Ficamos muito felizes, pois eu estava respirando bem sem ela, não ia mais passar por aquele trauma estressante de novo, mas mesmo assim, voltei ao hospital. O medico olhou pra mim e simplesmente riu! Sim, ele riu! Disse que não havia mais nada pra ele fazer ali porque a cânula já tinha saído... Ele riu da situação, mas ate ele reconheceu que eu sou um milagre, ele disse isso: "- Thalita, você é um milagre!" - É, eu sei, a minha fé me curou! Tudo certo por alguns dias, sem a tráqueo, fazendo fisioterapia duas vezes ao dia ate que comecei a me cansar muito. Novamente, voltei ao medico e ele diagnosticou Asma pós Traqueostomia (acho..rs). Isso acontece em muitos casos: confundem Estenose (estreitamento de traqueia) com asma ou bronquite, e isso é extremamente perigoso, pois Estenose mata! Mas tudo bem! E também não acreditávamos que eu seria "premiada" com mais essa né... rs' Foram 25 dias tratando como asma esse cansaço todo. Nos últimos 3 dias, já não conseguia mais comer, falar, dormir, nada! Tudo o que eu fazia me cansava muito, suava o tempo todo, era terrível e agoniante! Foi assim, vivendo esses 25 dias por milagre ate o dia da consulta no Hospital Sarah. No dia 02/04/12, segunda-feira, cheguei ao Sarah. Deus abriu as portas para mim e fui premiada com os melhores tratamentos para reabilitação da América latina. Logo no primeiro dia, fiz dois exames importantes para confirmar o que eles ja suspeitavam. Era uma Estenose, com 6 mm de diâmetro. Comparando, era como se esse tempo todo eu estivesse respirando por um canudinho comum... À noite, fui para o 1° estagio (UTI), me colocaram no oxigênio e eles me disseram que eu teria que fazer um procedimento urgente, não podia mais esperar. Me explicaram todo o processo, tudo o que iriam fazer, disseram que no meu caso, como a traqueostomia era recente, teriam que colocar um tubo pra abrir um espaço na traqueia. Esse tubo chama Tubo T de Montgomery e fica dentro da traqueia, na tentativa de fazer a estenose cicatrizar em volta e não precisar de uma cirurgia mais delicada - essa sim seria uma cirurgia de grande risco e não é feita por qualquer cirurgião de cabeça e pescoço. Mais risco ainda eu teria se não colocasse o tubo, pois a qualquer momento a estenose iria se fechar por completo ou então, eu poderia tossir e a secreção tapar e eu morrer a qualquer hora... Quem tem me sustentado ate aqui? Deus é o único ser que me mantem viva ate hoje. É um privilegio estar viva, por isso agradeço a Deus todos os dias. Fiz a cirurgia, fiz outra tráqueo, só que agora eu uso o tubo T e por tempo já determinado, seis meses. Graças a Deus respiro normalmente, sem cansaço, posso fazer fisioterapia tranquila, posso comer, falar, dormir sossegada... Esse tubo é ainda melhor que a tráqueo metálica que eu usava antes. Estou em ótimas mãos, ótimos profissionais e o medico dos médicos esta o tempo todo comigo. Agora, inicio uma nova etapa, a etapa da reabilitação motora. Posso dizer que tenho +ou- 70% dos movimentos de volta. Ja estou em casa, continuo com a fisioterapia e faço muitas coisas sozinha. Me adaptei ao meu atual modo de viver e continuo aprendendo. A cada dia eu descubro algo novo, alguma limitação que eu tinha antes e que agora não tenho mais. Dizem que a recuperação é lenta, mas estou respondendo muito bem ao tratamento. Com cinco meses desde o inicio da SGB eu ja estava andando. Hoje eu posso dizer que a minha fé me curou! Eu não entendo muito bem dos termos medicos, so escrevi um resumo do que entendi de tudo isso. Depois, com mais tempo vou escrever minha historia com todos os termos proprios e com a versão do(s) medico(s), se assim conseguir e Deus permitir. A minha historia é para glorificar e engrandecer o nome do Senhor. Atribuo minha vitória à Cristo, pois tudo que aconteceu em minha vida ate hoje, foi permissão de D'Ele. E há um proposito de Deus em minha vida e eu deixo o meu eu pra viver a vontade de Deus. Pesquisas dizem que a cada cem mil pessoas, um tem a SGB. Em Paracatu, fui a "premiada".. rs' O primeiro caso registrado. E agora eu lhe pergunto, isso é Sorte ou Azar? Eu lhe digo o seguinte: tive azar pela doença em si, mas também tive sorte pela oportunidade que Deus me deu para restaurar minha vida espiritual. Mais vale o sofrimento em vida do que apos a morte por toda eternidade. Apesar de dependermos da misericórdia de Deus e do Seu perdão, a Salvação é uma conquista diária, é uma luta sem fim e pela Fé estou salva! Deus so colocou pessoas iluminadas em minha vida.. Infelismente não posso ditar nomes, pois são muuuitos e não queria cometer nenhuma injustiça. Muito obrigada a todos que participaram direta ou indiretamente da minha historia, que me ajudaram e me ajudam ate hoje na minha recuperação, pela força que me deram e principalmente, pelas orações. Eu, por mais que tentasse, não conseguiria de maneira alguma retribuir a cada um o bem que me fizeram. Só Deus com todo o Seu poder pra fazer isso por mim. Que Deus os abençoe poderosamente em nome de Jesus! Amém...

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